57 mil detidos: número de brasileiros cruzando fronteira do México para EUA aumenta 8 vezes em um ano e bate recorde

Até então, o auge da migração ilegal de brasileiros havia ocorrido em 2019, quando cerca de 18 mil tentaram entrar nos EUA ilegalmente pela fronteira terrestre com o México.

A queda de 2019 para 2020 se deveu, em grande parte, à pandemia de covid-19.

Dos 56.881 brasileiros detidos na fronteira com o México, a maioria tentou completar a jornada com suas famílias (43.790 ou 77%). Já 12.898 eram adultos viajando sozinhos. O restante — 188 — eram menores de idade e crianças desacompanhadas, e cinco eram menores de idade acompanhados.

Com o aumento dos que tentam a travessia ilegal, o Brasil já é a sexta nação com o maior número de imigrantes detidos pelas autoridades americanas na fronteira sul do país, atrás do México, Honduras, Guatemala, El Salvador, Equador, nessa ordem.

Está à frente, por exemplo, de países como Nicarágua, Cuba, Colômbia e Venezuela que, historicamente, enviavam mais imigrantes irregulares aos EUA.

Para se ter ideia do tamanho desse fluxo registrado em 12 meses, é como se, em média, 156 brasileiros fossem detidos por dia ao tentar acessar os EUA a pé pela fronteira com o México.

Em setembro deste ano, um grupo de 140 brasileiros foi flagrado por operadores de câmeras de segurança durante a travessia. Em seguida, eles se entregaram a agentes da Patrulha de Fronteira do Setor Yuma e foram detidos.

Na ocasião, Chris T. Clem, chefe da Patrulha de Fronteira do Setor Yuma, postou as imagens em sua conta pessoal no Twitter e escreveu:

“Agentes da Patrulha de Fronteira detiveram um grupo de 140 migrantes brasileiros nesta manhã. Até o momento, neste mês, os agentes se depararam com uma média diária de mais de 600 migrantes, um aumento de mais de 2.000% em relação ao ano passado”.\

O Setor Yuma é responsável por patrulhar o sudeste do Estado americano do Arizona. Sua jurisdição se estende por 470 mil quilômetros quadrados em uma área entre os Estados da Califórnia e do Arizona.

Também em setembro, agentes encontraram o corpo da técnica de enfermagem Lenilda dos Santos, 49, no deserto de Deming, no Estado do Novo México.

Natural de Rondônia, ela morreu ao ser abandonada, sem água e comida, pelo grupo que cruzava para os Estados Unidos a pé.

No mesmo mês, imigrantes brasileiros foram descobertos na carroceria de um caminhão tentando entrar ilegalmente nos EUA pela fronteira do México com Sierra Blanca, no Texas.

E nesta terça-feira (19/10), o secretário de Estado americano, Antony Blinken, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, para discutir a imigração regional “sem precedentes” e maneiras de colaborar para diminuir o número de imigrantes indo para o norte, informou o Departamento de Estado do EUA.

Na conversa, Blinken e França discutiram “os movimentos migratórios irregulares sem precedentes pelo hemisfério”, e como os dois países podem trabalhar juntos para “conter o fluxo descontrolado e crescente de imigrantes irregulares na região”, segundo o porta-voz do órgão, Ned Price.

O México, por sua vez, deve passar a exigir visto para visitantes brasileiros, de acordo com um documento do Ministério do Interior mexicano. Desde 2004, o país não exige o documento para brasileiros, o que torna mais fácil a entrada dos imigrantes e, consequentemente, sua jornada rumo ao norte.

Segundo a agência de notícias Reuters, Washington tem, desde julho, pedido ao México a imposição de exigência de vistos para brasileiros.

Crise migratória

Os EUA passam por uma crise migratória sem precedentes sob o governo do democrata Joe Biden.

No cômputo geral, mais de 1,7 milhão de pessoas tentaram atravessar a fronteira entre os Estados Unidos e o México no ano fiscal de 2021 — um recorde histórico.

Recentemente, imagens de agentes da patrulha de fronteira açoitando migrantes haitianos que tentavam completar a travessia repercutiram ao redor do mundo e levaram a um pedido de desculpas público de Biden.

Mas autoridades americanas continuaram com as deportações, culminando com a renúncia do enviado especial dos EUA para o Haiti dois meses após sua nomeação.

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