O que está acontecendo no Cazaquistão, onde a população tomou as ruas

Polícia disparando contra manifestantes cazaques nesta quarta; protestos começaram após aumento no preço dos combustíveis

Protestos de rua se espalharam pelo Cazaquistão nesta quarta-feira (5/1), ganhando escala nacional e também contornos de violência, com implicações regionais.

Na noite desta quarta, a governo russo anunciou que mandará tropas ao Cazaquistão para conter os manifestantes – a pedido do próprio governo cazaque.

No aeroporto da maior cidade cazaque, Almaty, funcionários acabaram fugindo depois de manifestantes antigoverno terem entrado no terminal.

Os protestos começaram em oposição ao aumento no preço dos combustíveis, mas se espalharam e passaram a refletir outras insatisfações da população com a política e o governo. E a velocidade com a qual a violência ganhou escala causou surpresa, tanto localmente quanto na região da Ásia Central.

Policiais diante dos protestos em Almaty

CRÉDITO,REUTERS

Legenda da foto,Policiais diante dos protestos em Almaty; analista aponta que, sem eleições diretas livres, população só consegue manifestar sua insatisfação nas ruas

Por que esses protestos são incomuns?

Rico em petróleo e gás, o Cazaquistão é o país mais influente da Ásia Central, responsável por 60% do GLP da região. Também é comumente descrito como um Estado autoritário.

É o nono país de maior território do mundo, mas tem uma população relativamente pequena, de 18,8 milhões de pessoas.

O Cazaquistão declarou independência em 1991, durante o colapso da União Soviética. Foi liderado durante muitos anos por Nursultan Nazarbayev, que se tornou primeiro-ministro ainda em 1984, quando o país era uma república soviética.

Nazarbayev depois foi eleito presidente em uma eleição que, na prática, não teve adversários, e sua liderança foi marcada por elementos de culto à personalidade – estátuas dele foram erguidas pelo país, e uma nova capital foi batizada em sua homenagem.

Nazarbayev só deixou o poder em 2019, em meio a raros protestos antigoverno, que ele tentou conter com sua renúncia.

Ainda assim, indicou seu sucessor, o atual presidente Tokayev, em uma eleição que foi alvo de críticas de observadores internacionais.

Embora não esteja mais no poder, Nazarbayev continua sendo uma figura influente, e analistas afirmam que ele é o alvo principal dos atuais protestos.

Nesses três anos desde sua saída do poder, muito pouco mudou – e muitas pessoas no Cazaquistão se ressentem da ausência de reformas, do baixo padrão de vida e das limitações em liberdades civis.

O protesto começou depois que autoridades da ex-república soviética revogaram limites de preços do gás GLP, usado por muitas pessoas como combustível para carros, e causando aumento nos preços aos consumidores.

Os protestos eclodiram no domingo em apenas uma parte do país, mas já na terça-feira (4/1) a maioria das cidades cazaques registrava manifestações em massa e confrontos com a polícia.

Esses confrontos rapidamente se tornaram violentos: a polícia usou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra uma multidão de milhares de pessoas em Almaty.

Centenas delas – tanto manifestantes quanto policiais – ficaram feridas.

Nesta quarta-feira, foi declarado estado de emergência em várias partes do país, enquanto milhares de pessoas continuavam a tomar as ruas. A internet ficou fora do ar em diversos lugares, segundo relatos de moradores.

O presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, prometeu abaixar o preço dos combustíveis para “garantir a estabilidade no país”. Mas manifestantes responderam com a invasão do gabinete do prefeito de Almaty, incendiando o local.

Nesta quarta-feira, o presidente afirmou que a instabilidade é causada por “gangues terroristas” treinadas no exterior.

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