Queima da cana-de-açúcar polui comunidades da Flórida e Brasil mostra que há outro jeito

Como maior produtor de cana-de-açúcar dos EUA, a Flórida enfrenta um problema conhecido dos produtores do insumo: A queima das palhas secas descartáveis após cada colheita. O processo, segundo reportou o jornal Palm Beach Post, tem atingido diretamente comunidades de Belle Glade, no sul do estado, onde se concentram os maiores campos de plantios. Periodicamente, essas famílias, a maioria de pessoas negras e de baixa renda, têm suas casas invadidas por cinzas e fuligem, além da poluição atmosférica causada pelo grande volume de fumaça.

Na semana passada, uma equipe de reportagem do jornal viajou ao Brasil, o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, para entender como o país lida com o problema. Os repórteres descobriram que, em 1990, os moradores de São Paulo expressaram preocupações semelhantes aos de Glade. Em resposta à pressão pública, as autoridades brasileiras aprovaram uma lei para eliminar as queimadas. Os produtores investiram em equipamentos de colheita que permitem cortar a cana sem ter que atear fogo aos rejeitos. Nos anos seguintes, a indústria açucareira trabalhou com o governo do estado para eliminar quase todas as queimadas até 2017 . A queima da palha da cana no Brasil ainda é permitida, mas apenas em áreas muito íngremes para serem colhidas à máquina.

Os resultados, conforme reportou o jornal, foram surpreendentes. Algumas folhas se tornaram uma capa protetora nos campos, enriquecendo o solo, enquanto outras foram usadas para gerar energia renovável. O excesso de eletricidade é vendido e gera mais lucro para as empresas.

Especialistas reconheceram que o solo da Flórida é diferente do Brasil em alguns aspectos importantes, mas os desafios podem ser gerenciados com eficácia.  Conforme o Palm Beach Post, parte da cana-de-açúcar da Flórida já é colhida sem queimar quando é cultivada em áreas perto de escolas, hospitais, rodovias e residências. Mas nem a US Sugar

nem a Florida Crystal responderam por que a colheita sem fumaça não pode ser expandida. “Você vai simplesmente usar a mesma máquina que colhe a cana queimada e vai colher a cana crua”, disse Marcos Landel, diretor-geral do Instituto de Agricultura de Campinas.

A comissária de Agricultura da FL, Nikki Fried, disse acreditar que “a colheita em verde pode ser uma alternativa viável, mas nenhum método similar de colheita surgiu até agora como uma opção ambiental e economicamente viável”, declarou Fried.

Em 2016, pesquisadores do Florida Health Department recomendaram uma avaliação de risco à saúde depois de descobrir que a fumaça da cana queimada libera poluentes tóxicos no ar. Esse estudo avaliaria se os membros da comunidade sofrem de doenças respiratórias ligadas a esses poluentes. Porém, cinco anos depois, o estudo ainda não foi concluído. Autoridades da indústria e do governo da Flórida alegaram que o Brasil está fornecendo alguma forma de apoio na troca de experiências. Mas também não há dados sobre os resultados dessa parceria. O país sul-americano cultiva mais de 20 milhões de acres, em comparação com menos de um milhão nos EUA.

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