O Desmonte da Lava Jato: A Maior Vitória da Impunidade no Brasil
Em dezembro de 2025, o Brasil assistiu a uma cena que seria impensável em qualquer nação minimamente séria no combate à corrupção: um ex-gerente da Petrobras, condenado por receber milhões em propinas da Odebrecht e da UTC, teve R$ 26,5 milhões desbloqueados na Suíça e repatriados para suas contas. Não para as vítimas da corrupção – o povo brasileiro, que pagou a conta bilionária do roubo nas estatais –, mas para o próprio corrupto confesso.
Esse episódio não é um caso isolado. É o ápice de um processo sistemático de desmonte da Operação Lava Jato, a maior investigação anticorrupção da história do país, que recuperou bilhões aos cofres públicos, expôs a corrupção endêmica nos governos petistas e condenou dezenas de poderosos que antes se consideravam intocáveis.
Tudo começou com decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal, especialmente do ministro Dias Toffoli, que em 2023 anulou o acordo de leniência da Odebrecht – a espinha dorsal das provas da Lava Jato – sob a alegação de irregularidades processuais na obtenção dos sistemas Drousys e MyWebDay. A partir daí, um efeito dominó: provas invalidadas, condenações anuladas, bens desbloqueados, prescrições decretadas. O resultado prático? Dinheiro sujo voltando para as mãos de quem o roubou.
Não é exagero dizer que o maior beneficiado desse desmonte foi Luiz Inácio Lula da Silva. Suas condenações em três instâncias foram anuladas não por ausência de crime, mas por supostos vícios formais – como a competência do juízo de Curitiba e a alegada parcialidade do então juiz Sergio Moro. Com isso, Lula recuperou os direitos políticos, voltou à Presidência e, agora, preside um país onde a corrupção volta a ser tratada como algo normal, quase folclórico.
Enquanto isso, a Transparência Internacional classifica o caso da devolução de milhões ao ex-gerente da Petrobras como “sem precedentes no mundo”: bens apreendidos em investigações de corrupção sendo devolvidos aos próprios corruptos, e não às vítimas. A organização alerta que o Brasil viola tratados internacionais da OCDE e se transforma em um “cemitério de provas de corrupção”, afugentando investimentos e destruindo a confiança nas instituições.
Os defensores das decisões do STF repetem o mantra do “devido processo legal” e dos “excessos da Lava Jato”. Mas o devido processo legal não pode servir de escudo para a impunidade generalizada. Quando o rigor formal é usado seletivamente para livrar os poderosos – especialmente os de um determinado espectro político –, ele se torna mero instrumento de poder, não de justiça.
A Lava Jato não foi perfeita. Houve erros, exageros, talvez até abusos. Mas ela representou um raro momento em que o Brasil disse “basta” à corrupção sistêmica que drenava os recursos do povo para enriquecer políticos, empreiteiros e burocratas. Desmontá-la peça por peça, sob o pretexto de corrigir falhas processuais, é entregar o país de volta às velhas práticas que o mantiveram por décadas na estagnação moral e econômica.
O Brasil de hoje tem a pior nota da história no Índice de Percepção da Corrupção. Bilhões que poderiam estar em saúde, educação e infraestrutura voltam para as mãos de condenados. E o recado que fica é claro: aqui, o crime compensa – desde que você tenha os amigos certos no lugar certo.
A impunidade não é apenas uma derrota da justiça. É uma traição ao povo brasileiro, que paga a conta mais alta: um país mais pobre, mais desigual e moralmente degradado. Enquanto o dinheiro da propina volta para os bolsos dos corruptos, o Brasil segue escravizado pelo velho sistema que a Lava Jato, por um breve momento, ousou desafiar.




