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Capturando Nicolás Maduro, a base legal por trás da missão

 A captura de Nicolás Maduro pelos EUA provocou fortes críticas de governos estrangeiros e democratas nos Estados Unidos, com uma questão central norteando o debate: o presidente Donald Trump precisava da aprovação do Congresso para fazer isso?

O governo Trump diz que não, mas os críticos afirmam que a medida se enquadra numa zona cinzenta legal.

 a operação para deter Maduro foi uma missão breve e direcionada, não uma guerra, invasão ou mobilização militar prolongada, e, portanto, não exigiu autorização prévia do Congresso.

O secretário de Estado Marco Rubio foi explícito sobre a posição do governo, rejeitando a ideia de que Maduro tivesse direito às proteções normalmente concedidas a um chefe de Estado estrangeiro. Em um comunicado à imprensa da Casa Branca que documentou as entrevistas de Rubio, ele argumentou que Maduro “não era o chefe de Estado”, descrevendo-o, em vez disso, como um líder ilegítimo e um narcotraficante indiciado, linguagem que o governo afirma ser central para sua justificativa legal.

A Casa Branca fundamenta sua autoridade principalmente no Artigo II da Constituição dos EUA, que designa o presidente como comandante-em-chefe das Forças Armadas americanas. O governo argumenta que, como a operação contra Maduro teve escopo limitado, foi breve e não constituiu uma guerra declarada, o Congresso deveria ter sido notificado, mas não solicitado a dar sua permissão.

Essa interpretação não é nova.

Presidentes de ambos os partidos têm se baseado nos poderes do Artigo II para realizar operações militares ou policiais específicas sem a aprovação formal do Congresso. Entre os exemplos mais frequentemente citados estão:

  • 1989: O presidente George H.W. Bush ordenou que forças americanas entrassem no Panamá para capturar Manuel Noriega, um traficante de drogas indiciado.
  • 1983: O presidente Ronald Reagan enviou tropas para Granada sem autorização prévia do Congresso.
  • 1999: O presidente Bill Clinton lançou ataques aéreos no Kosovo sem uma autorização formal para o uso da força militar.
  • 2011: O presidente Barack Obama ordenou ataques aéreos na Líbia para proteger civis durante a Primavera Árabe, novamente sem aprovação prévia do Congresso.

O ponto em comum: quando uma operação é limitada, de rápida execução e não é enquadrada como uma guerra, historicamente os presidentes têm reivindicado autoridade constitucional para agir primeiro e informar o Congresso posteriormente.

Por que o governo diz que isso não é uma guerra?

Segundo funcionários do governo, a missão a Maduro se qualifica como uma operação de policiamento ostensivo, e não como uma invasão militar, porque Maduro não foi reconhecido como chefe de Estado legítimo. Essa distinção, argumentam, abre caminho para a autoridade de prisão em vez das regras tradicionais de tempos de guerra.

Para sustentar essa afirmação, as autoridades têm apontado repetidamente para um paralelo histórico.

O precedente Noriega

O caso mais frequentemente citado é o de Manuel Noriega.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, Noriega foi indiciado em um tribunal federal americano por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro antes de as forças americanas entrarem no Panamá em 1989 para capturá-lo, uma operação ordenada sem a prévia aprovação do Congresso.

Após sua prisão, Noriega argumentou que a captura foi ilegal e que ele estava protegido pela imunidade de chefe de Estado. Os tribunais americanos rejeitaram esses argumentos, permitindo que o caso prosseguisse. Noriega acabou sendo condenado, e os tribunais se recusaram a arquivar as acusações, embora o método de captura fosse controverso.

Desde então, esse caso tornou-se o precedente mais utilizado para a ideia de que os tribunais dos EUA podem julgar um líder estrangeiro mesmo que as circunstâncias de sua captura sejam contestadas.

O governo Trump agora se apoia fortemente nessa lógica, argumentando que a acusação contra Maduro, combinada com seus supostos vínculos com o narcotráfico e adversários estrangeiros, o coloca em uma categoria jurídica semelhante.

Onde o terreno jurídico se torna mais instável

Embora o governo mantenha a confiança na captura em si, uma questão jurídica à parte gerou ainda mais preocupação: a declaração do presidente Trump de que os Estados Unidos “governarão” a Venezuela temporariamente até que um novo líder seja eleito.PARTICIPE DA CONVERSA (8)

Especialistas jurídicos citados pelo The New York Times afirmam que não existe nenhuma base legal clara, seja na legislação dos EUA ou no direito internacional, que permita aos Estados Unidos governar diretamente outro país. Na ausência de uma rápida transferência de poder para uma autoridade venezuelana, esses especialistas alertam que tal controle poderia configurar uma ocupação ilegal sob o direito internacional.

Artigo II, Seção 2, Cláusula 1:

O Presidente será o Comandante-em-Chefe do Exército e da Marinha dos Estados Unidos, e da Milícia dos diversos Estados, quando convocada para o serviço ativo dos Estados Unidos; ele poderá exigir a opinião, por escrito, do principal funcionário de cada um dos Departamentos Executivos, sobre qualquer assunto relacionado às atribuições de seus respectivos cargos, e terá o poder de conceder indultos e perdões por ofensas contra os Estados Unidos, exceto em casos de impeachment.

Em 1912, o Departamento de Estado publicou um memorando preparado por seu Procurador-Geral, que visava justificar o Direito de Proteger Cidadãos em Países Estrangeiros por meio do Desembarque de Forças.<sup> 1</sup> Além da justificativa, o memorando resumia quarenta e sete casos em que a força havia sido usada, na maioria deles sem qualquer autorização do Congresso.<sup> 2 </sup> Revisado e republicado duas vezes, o memorando foi complementado por um estudo independente de 1928 e um trabalho de 1945 de um ex-funcionário do governo, que corroboraram conclusões que se afastaram da justificativa original do uso de forças dos Estados Unidos no exterior, passando a considerar o uso dessas forças a critério do Presidente e sem o controle do Congresso.<sup> 3</sup>

Novas listas e argumentos revisados ​​foram publicados para apoiar as ações do presidente Harry Truman ao enviar tropas para a Coreia e dos presidentes John Kennedy e Lyndon Johnson ao enviar tropas primeiro para o Vietnã e depois para a Indochina em geral,  e novas listas foram propostas desde então.⁵ A grande maioria dos casos citados envolvia lutas com piratas, desembarques de pequenos contingentes navais em costas bárbaras ou semibárbaras para proteger o comércio, o envio de pequenos grupos de tropas para perseguir bandidos através da fronteira mexicana e similares, e alguns incidentes supostamente sem autorização do Congresso, na verdade, tinham autorização legal ou de outra natureza. 6 Alguns exemplos, como o uso de tropas pelo presidente James Polk para precipitar a guerra com o México em 1846, a tentativa do presidente Ulysses Grant de anexar a República Dominicana e o envio de tropas pelo presidente William McKinley à China durante a Rebelião dos Boxers, envolveram consideráveis ​​exercícios de poder presidencial, mas, em geral, os objetivos eram limitados e a autorização do Congresso era solicitada para o uso de tropas contra um Estado soberano ou de forma a constituir guerra. Os primeiros anos do século XX testemunharam a expansão, no Caribe e na América Latina, tanto do uso de tropas para a promoção do que era percebido como nossos interesses nacionais quanto do poder do Presidente de mobilizar as forças armadas dos Estados Unidos sem autorização do Congresso. 7

As ações pré-guerra dos presidentes Woodrow Wilson e Franklin Roosevelt impulsionaram substancialmente a ideia da iniciativa presidencial, embora a teoria só tenha começado a se consolidar durante o Grande Debate sobre o envio de tropas dos Estados Unidos para a Europa, no âmbito do Pacto do Atlântico. Embora a autorização do Congresso tenha sido obtida, esse debate, o debate sobre a Carta das Nações Unidas e o debate sobre o Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte de 1949, que declarava que um ataque armado contra um signatário seria considerado um ataque contra todos os signatários, proporcionaram a ocasião para a formulação de uma teoria do poder presidencial independente para usar as forças armadas no interesse nacional, a seu critério.<sup> 8 </sup> Assim, o Secretário de Estado Dean Acheson declarou ao Congresso: ” O Presidente não só tem autoridade para usar as forças armadas na execução da ampla política externa dos Estados Unidos, implementando tratados, como também é igualmente claro que essa autoridade não pode ser contestada pelo Congresso no exercício dos poderes que lhe são conferidos pela Constituição.”<sup> 9 </sup>

O presidente Truman não buscou autorização do Congresso antes de enviar tropas para a Coreia, e presidentes subsequentes agiram de forma semelhante por conta própria ao enviar tropas para muitos países estrangeiros, incluindo a República Dominicana, o Líbano e, principalmente, a Indochina.<sup> 10 </sup> Eventualmente, a oposição pública precipitou outro debate constitucional sobre se o presidente tinha autoridade para enviar tropas para combates no exterior sem a aprovação do Congresso, culminando na promulgação da Resolução sobre Poderes de Guerra.<sup> 11</sup> A Resolução pouco fez para impedir que os presidentes enviassem tropas para o exterior sem autorização prévia do Congresso, e a Suprema Corte não abordou diretamente a questão.<sup> 12</sup>

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