Existem histórias que começam em grandes gabinetes, cercadas de poder, títulos e sobrenomes conhecidos.
E existem histórias que começam na rua.
Começam no trabalho.
Começam dentro de uma família que luta todos os dias para colocar o pão na mesa.
A história de Ratinho pertence a esse segundo caminho.
Antes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, antes dos discursos, dos projetos e dos corredores do poder, havia um homem que conhecia de perto a realidade de quem acorda cedo para trabalhar.
Ratinho dirigia uma Kombi no transporte alternativo. Ao seu lado estava Rosi, sua esposa, trabalhando como trocadora. O filho ainda era pequeno.
A política, naquele momento, não era um cargo.
Era a própria vida.
Aos 15 anos, começou a acompanhar o pai em reuniões políticas. Anos depois, em 2012, chegou à Câmara Municipal de São João de Meriti. Foi reeleito em 2016.
E foi nas ruas da Baixada Fluminense que sua trajetória ganhou rosto, voz e endereço.
Ali estavam as pessoas que não apareciam nos grandes salões.
A mãe esperando atendimento.
O trabalhador procurando emprego.
A família esperando água chegar.
A comunidade esperando uma rua deixar de ser apenas promessa.
Foi ali que Ratinho conheceu alguns dos maiores Golias da vida real.
E talvez seja por isso que a comparação com Davi faça tanto sentido.
Porque Davi não era o maior.
Não tinha a armadura mais pesada.
Não tinha a força física de Golias.
Mas tinha coragem para ficar diante dele.
E os Golias de hoje não carregam espadas.
Alguns têm a forma da fome.
Outros aparecem como desemprego.
Alguns se escondem atrás da falta de oportunidades.
Outros estão nas ruas sem infraestrutura, nas famílias que esperam por serviços públicos e nos cidadãos que, muitas vezes, sentem que ninguém está olhando por eles.
São problemas enormes.
Gigantes.
Mas a história de Ratinho é justamente a história de alguém que decidiu entrar na arena.
Segundo a biografia oficial da Alerj, durante sua trajetória como vereador houve intervenções em ruas, obras de infraestrutura, ações relacionadas ao abastecimento de água e iniciativas na área da educação em São João de Meriti.
Depois, veio um novo desafio.
Em 2018, Ratinho foi eleito deputado estadual.
O homem que um dia dirigiu uma Kombi passou a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Mas existe algo que nenhuma eleição consegue mudar:
a origem.
E talvez esteja justamente aí a força dessa história.
Ratinho pode ser pequeno na estatura.
Mas a representatividade não se mede em centímetros.
Mede-se pela quantidade de pessoas que alguém consegue carregar consigo quando entra em um lugar de poder.
Cada rua conhecida.
Cada história ouvida.
Cada família encontrada.
Cada problema levado para dentro da Assembleia.
Porque representar não é apenas ocupar uma cadeira.
É fazer com que, junto com aquela cadeira, entrem também as vozes de quem quase nunca consegue chegar até ela.
Davi ficou diante de Golias.
E não perguntou se o adversário era grande demais.
Apenas decidiu enfrentá-lo.
Hoje, os Golias continuam existindo.
A fome continua sendo um Golias.
O desemprego continua sendo um Golias.
A falta de oportunidades continua sendo um Golias.
A desigualdade continua sendo um Golias.
E a distância entre o poder público e quem mais precisa continua sendo um desafio gigantesco.
Mas toda grande batalha começa quando alguém decide não recuar.
A história de Ratinho ainda não terminou.
Porque enquanto houver gente precisando ser ouvida, haverá uma estrada a percorrer.
Enquanto houver problemas esperando resposta, haverá uma luta a enfrentar.
E enquanto houver uma população buscando representação, haverá uma cadeira na Assembleia Legislativa carregando muito mais do que um nome.
Carregando histórias.
Carregando esperança.
Carregando a voz de um povo.
Ratinho, o pequeno Davi diante dos grandes Golias.
E a luta continua.

setembro 20, 2026

