Olha, seu moço, vou te contar uma história de quem caminha com a fé, que percorre vias e vielas para mostrar que está ali, junto do próximo, onde o céu é o limite. Esse andarilho é Felipinho Ravis.
Olha, seu moço, deixa eu te contar a trajetória de quem começou com os pés descalços, vindo da periferia da Baixada Fluminense, e que tem como nome de pia, batismal, Felipe Rangel Garcia. Ele chegou a esta terra sofrida no dia 13 de maio de 1988.
O Arquiteto do Universo escolheu a data do centenário da Abolição da Escravatura para colocar na Terra aquele que haveria de lutar pela abolição e pela libertação das injustiças sociais e das desigualdades daqueles que ainda não são verdadeiramente libertos nas periferias do Rio de Janeiro.
Mas muito cedo, seu moço, esse menino começou a pôr a perna no mundo. Com uma lanchonete pequenininha, começou a construir o seu sonho e o sonho dos seus.
Olha, seu moço, mas quem nasceu para lutar não prende no peito a força e a garra de representar o seu povo.
E então, como Jesus, Felipinho começou sua caminhada. Uma caminhada que começou lá atrás, com os pés descalços, e que depois ganhou sandálias surradas de tanto bater às portas, ouvir sua gente e conhecer de perto suas dores. Foi assim que chegou à vereança de Nova Iguaçu.
Olha, seu moço, o nosso andarilho chegou muito bem à Câmara dos Vereadores, fazendo frente a muita gente que se sentava em um parlamento de paletó aberto, com barrigas de orgulho e olhos de descaso para os seus.
Mas, seu moço, naquela casa, de pé, Felipe pôde falar. E também pôde ouvir muita gente.
Só que quem nasceu para caminhar não pode parar.
E o andarilho, mais uma vez, calçou suas sandálias e saiu para caminhar com os seus. Foi ouvir sua gente e levar sua voz para a esfera legislativa estadual.
E olha, seu moço, não é que aquele menino chegou agora falando do seu povo e da sua gente para outros paletós abertos e olhos baixos, escondidos atrás de óculos sobre o nariz na assembleia legista do Rio .
É, seu moço… Mas quem grita e berra pelo seu povo não fica parado em praça vazia, sem coreto. O nosso menino sentou-se em muitas mesas para trabalhar por nossa gente.
Mas aí, seu moço, você pergunta: como termina essa história?
A história não acabou, não.
Ele continua a caminhar pela sua gente, com as mesmas sandálias surradas, correndo por essa cidade que tem um Redentor de braços abertos, mas que não consegue abraçar todos.
E Felipinho Ravis está lá, para representar esse povo sofrido, bem longe dos braços abertos da Guanabara.
E mais uma vez, seu moço, ele caminha para estar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, para falar das mazelas, das necessidades e dos sonhos dessa gente diante daqueles que vestem paletós e se sentam em suas cadeiras.
É, seu moço…
Esse é o nosso menino.
Felipinho Ravis.
O Andarilho do Povo.



